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Forno Cerãmico Romano – Fornelos

Forno Cerãmico Romano – Fornelos

As viagens pelo tempo fazem-se percorrendo espaços e territórios com identidade. Cada região possui características muito próprias que lhe dão essa identidade. É esse conjunto de elementos, naturais ou humanizados, que fazem as pessoas orgulharem-se da sua “terra”.
Ora, foi há cerca de 50 anos que, no lugar da Ponte, entre as freguesias de Louredo e de Fornelos, que terão surgido os primeiros vestígios do que na altura se chamou uma “fábrica com chaminé”. Esta memória ficou guardada na tradição oral até que, cerca de 30 anos mais tarde, o padre Manuel Tuna a recuperou e encetou um processo de estudo e valorização deste monumento. Assim, em 1980, juntamente com Armando Coelho da Silva e António Baptista Lopes, Manuel Tuna desenvolveu trabalhos arqueológicos que permitiram colocar a descoberto o que restava de um forno da época romana. Durante a escavação arqueológica foram recolhidas algumas peças que fizeram os autores dos trabalhos colocar a hipótese de se tratar de um forno que serviu para cozer cerâmica de construção: telhas e tijolos.
Assim, o público ao visitar este monumento com dois mil anos tem que imaginar um cenário de pessoas a trabalhar num forno onde por cima da grelha estariam telhas e tijolos a cozer. Lembremo-nos que estamos numa zona de excelentes Barreiros atestados pelo nome do povo contíguo – Barreiro. Por outro lado, não nos podemos esquecer que os Romanos necessitavam de uma quantidade imensa de material de construção para as suas casas, templos, termas, etc. A telha foi uma das muitas inovações tecnológicas que os Romanos trouxeram à Península Ibérica. Até então, as casas eram cobertas com ramos e colmo, menos quentes e mais húmidas.
Preocupada com a progressiva deterioração deste monumento, o Município de Santa Marta de Penaguião convidou a empresa ArqueoHoje, a executar um projecto de conservação e valorização deste singular monumento.
O principal objectivo da intervenção de conservação e restauro realizada em 2005, foi a consolidação estrutural do forno romano, que se encontrava em avançado estado de degradação.
Assim, as intervenções efectuadas consistiram na limpeza pormenorizada de depósitos de terras acumulados, consolidação pontual do material cerâmico e pétreo, preenchimento de juntas e lacunas com materiais compatíveis com os originais, tratamento e consolidação da parte superior da grelha e reintegrações pontuais de material cerâmico.
As experiências realizadas na preservação e apresentação de sítios arqueológicos demonstraram que as intervenções de conservação não são medidas eternas, dado que a degradação é um processo dinâmico evolutivo. Assim, parte do sucesso das acções desenvolvidas passa por uma manutenção contínua dos sítios, imprescindível à sua valorização.
Composição do Forno:
O forno cerâmico de Louredo era composto por uma área de aquecimento enterrada no solo natural – boca do forno servindo de local de introdução de lenha e regulador da tiragem do ar, fornalha com aspecto de canal onde se acendia a fogueira e câmara de aquecimento sustendo a grelha e permitindo simultaneamente uma melhor distribuição calorífica – e uma câmara de cozedura – grelha perfurada, em barro cozido, sobre a qual se colocavam os produtos a cozer, sendo rematada por uma abóboda com chaminé para evacuação dos gases e fumos.
Funcionamento do Forno:
O seu modo de funcionamento obedecia aos seguintes momentos:
    1º – Colocação das peças previamente moldadas sobre a grelha.
    2º – Combustão da lenha colocada na fornalha.
    3º – Após a combustão, e tendo o forno atingido uma temperatura elevada (± 1000 graus), todo o conjunto era selado com argila e assim permaneceria durante vários dias até o forno arrefecer.
    4º – Remoção das argilas de selagem e das peças produzidas, seguindo-se a limpeza do forno para nova produção.