Santa Marta de Penaguião situa-se no Interior Norte de Portugal. O seu território encontra-se encravado entre os concelhos de Vila Real a norte e parte a nascente, o de Peso da Régua também a nascente e a sul, a grandiosa cordilheira do Marão a poente, em cuja cumeada limita com os concelhos de Baião e Amarante.

Histórica e justamente considerada como “uma das mais belas porções do Paiz Vinhateiro” (2º Visconde de Villa Maior em 1865), Santa Marta de Penaguião afirma-se hoje como parte integrante e caraterística do Alto Douro, Região Património Mundial, que, no dizer de Miguel Torga, é a “única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo”.

O acentuado da orografia, a beleza vestida das encostas, a profundidade inebriante dos vales, a majestade telúrica do Marão, a vinha como rainha e senhora um pouco por todo o lado (um autor do século XVIII disse com propriedade “colhe pouco pão porque os seus habitantes tudo tem reduzido a vinho” )… contribuem para que, em pouca área – apenas 7000 ha – tenha sido moldada uma paisagem única que vale a pena visitar e fruir em sereno deambular, propício a demoradas contemplações.

 Quem quiser aventurar-se a melhor “conhecer um dos mais famosos quadros que cobre o céu deste paiz” (Manuel Monteiro, em 1911), procure um dos altos destas Terras – S. Pedro de Fontes, Santa Bárbara da Cumieira, S. Pedro de Lobrigos, o Monte da Azória, os próprios cumes da Serra do Marão – e, deambulando o olhar pela “nunca por demais celebrada, na sua beleza e produtiva prosperidade, concha vinhateira de Santa Marta de Penaguião” (Artur Vaz, in “Vintage para uma Vida”), concentre-se na boa sensação de permitir que os odores vários da terra, a beleza diversa dos matizes, o rezingar dos insetos, o canto alegre dos pássaros cresçam dentro de si e lhe arrebatem todos os sentidos.

 E percebendo a fundo as cores e os cheiros, o gosto e a essência, o sonho e a vida, a luz e a sombra, a música e o silêncio, preste um sentido preito ao querer e ao esforço das mulheres e dos homens, que, ao longo dos séculos, com trabalho, sangue, suor, sofrimento e persistente teimosia, souberam construir essa paisagem/monumento tão genuinamente peculiar e grandiosa.

Geografia e Clima

Geografia

O concelho de Santa Marta de Penaguião localiza-se no Norte de Portugal, a cerca de 300 quilómetros de Lisboa e a 70 quilómetros da costa atlântica. Do seu território vislumbram-se, a poucos quilómetros, as cidades de Vila Real a norte, e de Peso da Régua a sul.

De extensão territorial reduzida, tem apenas 69,25 km2 de superfície, distribuídos por 10 freguesias, sendo que as mais extensas são Fontes com 15,66 Km2 (22,62% do total) e Cumieira com 11,04 Km2 (15,95%). Em oposição temos Sanhoane apenas com 3,59 Km2 (5,19%) e Alvações do Corgo com 4,32 Km2 (6,27%).

Limitando a norte e a nascente com o concelho de Vila Real, a nascente e sul com o concelho de Peso da Régua, o território de Santa Marta toca ainda, nas alturas do Marão, os concelhos de Baião e Amarante do distrito do Porto.

Em termos de atividade económica e no que ao setor produtivo concerne, o concelho está decididamente marcado pela condição geográfica da sua orografia e pela inserção histórica na Região Demarcada do Douro, sendo a vinha o traço mais marcante da sua paisagem, com a produção vinícola – vinho generoso, ou vinho de pasto – a assumir foros de quase exclusividade. Para além dele, apenas limitadas produções de azeite e frutas; nas povoações serranas do Marão alguma criação de gado, produção de castanha e fabrico de mel. A nível florestal – pequenas orlas aqui e ali – o concelho integra o Núcleo Florestal do Douro, inserido na Circunscrição Florestal do Norte.

Clima:

De uma maneira geral o clima do concelho é seco, de caraterísticas continentais (quente no Verão e frio no Inverno), condicionado pelas serras (e contrafortes) do Marão e Montemuro que servem de filtro ou de tampão aos ventos húmidos e temperados do Atlântico.

Mesmo assim podemos definir duas zonas climáticas relativamente distintas: a metade sul e nascente, que, sob influência dos vales dos rios Douro e Corgo, são mais temperadas no inverno, muito quentes no verão e com pluviosidade limitada, enquanto as zonas de montanha, situadas a poente e a norte, sendo mais frias no Inverno, com geadas e até neve frequentes, apresentam alguma frescura no Verão e índices superiores de pluviosidade.

Textos gentilmente cedidos por Dr. Artur Vaz